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Capacitismo Estrutural e Direitos Humanos são debatidos em palestra da ALANE/AL
O Brasil tem cerca de 20 milhões de pessoas com deficiência, mas a inclusão ainda é um desafio. Em Alagoas, 11% da população possui algum tipo de deficiência, e menos de 1% consegue concluir o ensino superior. A falta de acessibilidade, inclusive nas universidades, e o preconceito estrutural são barreiras que limitam o desenvolvimento dessas pessoas. Essa realidade foi exposta pelo professor e advogado Edmilson Sá na palestra “Capacitismo Estrutural e a Luta por Direitos Humanos”, realizada nesta terça-feira (1º), no auditório do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) – na Jatiúca, a convite da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE), núcleo Alagoas.
Superação
O palestrante foi apresentado pelo acadêmico João Bosco, que destacou como, muitas vezes, “não temos os olhos necessários para enxergar as pessoas com deficiência”. Edmilson Sá compartilhou um pouco de sua história: após sofrer uma infecção medular que o deixou com paralisia, precisou buscar tratamento em Brasília, no Hospital Sarah Kubitschek. Lá, ele descobriu um novo mundo e decidiu mostrar essa realidade. “Eu decidi me tornar mochileiro. Pego avião, pego ônibus e viajo pelo Brasil. Nessas viagens, conheci a realidade de milhares de pessoas com deficiência e vi como a acessibilidade ainda é precária”, relatou.
Documentário
Edmilson Sá tornou-se o primeiro presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência nessa condição e produziu um documentário inovador sobre o tema. O curta-metragem “Barreiras” foi o primeiro produzido com e sobre pessoas com deficiência, contando com audiodescrição para cegos e uma tela com Libras para surdos. Durante a palestra, ele exibiu o trailer da produção, que foi premiada.
Relatos e reflexões sobre inclusão
Durante a palestra, alguns acadêmicos compartilharam depoimentos emocionantes sobre vivências pessoais ou desafios enfrentados por familiares. A acadêmica Celeste Diniz, mãe neuroatípica, relatou a luta de seu filho com TEA e TDAH e de seu irmão, deficiente auditivo, que sempre foi excluído no ambiente escolar. Já a acadêmica Lysette Alves compartilhou sua experiência ao superar uma paralisia infantil e destacou que o que realmente importa é a capacidade de seguir em frente. “Eu superei tudo sem trauma, e a minha cabeça é normal. Se uma mão minha não abre, a outra abre”, afirmou.
A presidente da ALANE-Alagoas, Nara Sá, citou a célebre frase da artista Frida Kahlo: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?” e destacou a importância do tema. Ela reforçou a necessidade de melhorar a acessibilidade em espaços públicos e instituições de ensino: “Muitas ruas e cidades ainda não oferecem condições adequadas para as pessoas com deficiência, que enfrentam desafios diários”, lembrou.
O presidente da Academia Maceioense de Letras, Jorge Soares, ressaltou a importância do debate e lembrou que, em sua trajetória como médico, presenciou muitos momentos de discriminação: “Preconceitos contra pessoas que não podiam andar e que, muitas vezes, não tinham condições de adquirir uma cadeira de rodas e precisavam pedir”. Já a professora e presidente da Academia Palmeirense de Letras, Isvânia Marques, enfatizou a necessidade de abordar o tema nas escolas e parabenizou o palestrante e também a presidente da ALANE Alagoas, por trazer o assunto para debate na academia.
Já Moézio de Vasconcellos, presidente da Federação das Academias de Letras, Artes, Cultura e Ciências de Alagoas – e da Academia de Penedo - destacou a urgência de se romper com a discriminação: “Somos todos iguais e precisamos acabar com essa miséria de diferenciar as pessoas com deficiência”, afirmou. A reunião foi encerrada com música, na voz da acadêmica Madalena Oliveira, que interpretou “La Vie en Rose”.