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Publicado em 06/07/2026 - 17h42min
Tim Bernardes e Zé Ibarra desafiam a lei dos algoritmos com apostas a longo prazo
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♬ Há uma lei em vigor na indústria fonográfica, sobretudo nas gravadoras multinacionais, que determina que artistas têm que estar sempre apresentando conteúdos novos – sejam singles, EPs ou registros ao vivo de shows – com intervalos cada vez menores entre um lançamento e outro. O objetivo é alimentar sempre o algoritmo em torno daquele artista.

Essa lógica ignora que lançamentos fonográficos irrelevantes e/ou redundantes acabam diluindo a força da obra e da discografia desse artista.

Há dois artistas da cena indie brasileira que desafiaram essa regra e, em vez de ficarem inventando moda, apostaram a longo prazo nos álbuns. E colhem os frutos desse investimento focado. Trata-se de Tim Bernardes e de Zé Ibarra. Ambos são cantores, compositores e músicos que vêm se fortalecendo no universo pop, inclusive ampliando os respectivos públicos, sem a necessidade de inventar lançamento a toda hora.

Tim Bernardes lançou o segundo álbum solo em junho de 2022, “Mil coisas invisíveis”, e desde então apresentou somente um single, “Praga / Prudência”, em abril de 2025, investindo no show do álbum em turnê que somente agora se aproxima do fim, quatro anos após a edição de “Mil coisas invisíveis”. E com o detalhe de que a procura por shows de Tim tem sido cada vez mais intensa.

Ou seja, há um público que não se alimenta de algoritmo, que busca artistas com obras mais consistentes. E outro desses artistas é Zé Ibarra, que tem investido no segundo álbum solo, “Afim”, lançado em junho de 2025. Desde que o álbum foi lançado, o artista tem feitos shows cada vez mais concorridos no Brasil e também na Europa.

Zé Ibarra até se rendeu aos álbuns audiovisuais, tendo captado o show “Afim” há um mês em apresentação feita em 11 de junho no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do artista carioca. A questão é que Zé jamais tirou o foco do álbum, mesmo tendo lançado em março um single ao vivo, “Afeto”, com abordagem de música de Mayra Andrade.

Tanto Zé Ibarra quanto Tim Bernardes parecem entender que o ciclo de um álbum é longo e exige dedicação exclusiva para que o trabalho dê frutos. O resultado é que ambos consolidaram os respectivos álbuns como títulos marcantes da discografia brasileira do século XXI.


“Mil coisas invisíveis” e “Afim” são álbuns que não ficaram velhos ou esquecidos dois ou três meses após os respectivos lançamentos, como geralmente acontece, pois tem muita gente que ainda se recusa a ser moldada pelo algoritmo.
(G1)
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