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Publicado em 06/07/2026 - 14h30min
O feminicídio tem um padrão", diz pesquisadora que analisou assassinatos de mulheres em Maceió
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O feminicídio tem um padrão", diz pesquisadora que analisou assassinatos de mulheres em Maceió
Alagoas registrou dois feminicídios apenas nos seis primeiros dias de julho. Os casos reacendem um debate que vai além das estatísticas e reforçam uma constatação defendida pela advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima: o feminicídio não acontece de forma repentina, mas segue padrões que podem ser identificados e interrompidos antes que a violência chegue ao desfecho fatal.

Autora do livro O Padrão do Feminicídio: Um Estudo Configuracional dos Assassinatos de Mulheres em Maceió, Alagoas, resultado de sua pesquisa de mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Anne Caroline afirma que os assassinatos de mulheres costumam ser precedidos por uma sequência de violências, controles, ameaças e omissões que se repetem em diferentes casos.

"Nenhum feminicídio começa no dia do assassinato. Antes da morte, existe uma sequência de violências, de controles, de ameaças e de omissões que se repetem em caso após caso. Foi isso que minha pesquisa buscou demonstrar: o feminicídio tem um padrão. E, se existe um padrão, ele pode ser identificado, interrompido e prevenido. É para isso que servem a pesquisa científica e as políticas públicas: transformar conhecimento em vidas preservadas", afirma.

Lançada em maio deste ano, a obra analisa assassinatos de mulheres ocorridos em Maceió antes mesmo da criação da qualificadora do feminicídio na legislação brasileira. O estudo identifica padrões relacionados às dinâmicas de gênero, falhas institucionais, invisibilização das vítimas e dificuldades na resposta do Estado aos casos de violência letal contra mulheres.

Para a pesquisadora, um dos principais desafios é romper com a ideia de que cada feminicídio representa uma tragédia isolada. A pesquisa identificou que os casos seguem padrões marcados por contextos, relações de poder e sinais de risco recorrentes, cuja compreensão é fundamental para orientar políticas públicas de prevenção.

"Toda vez que um novo caso de feminicídio ocupa os noticiários, a sociedade tende a enxergá-lo como uma tragédia isolada. Minha pesquisa demonstra justamente o contrário: o feminicídio segue padrões que se repetem. Existem contextos, comportamentos, dinâmicas de poder e sinais de risco recorrentes", reforça.

Ao longo da pesquisa, Anne Caroline também identificou que a repetição desses padrões revela desafios que ultrapassam a responsabilização dos autores dos crimes e envolvem a atuação das instituições responsáveis pela prevenção, proteção e investigação. Para ela, compreender como a violência se estrutura é um passo essencial para impedir que novos casos continuem se repetindo.

"Compreender esses padrões é fundamental para romper esse ciclo. É exatamente esse o papel das políticas públicas: identificar os fatores que antecedem a violência letal para intervir antes que ela aconteça. O conhecimento é uma das mais importantes ferramentas de prevenção", destaca.
(Assessoria)
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