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Publicado em 13/03/2026 - 15h00min
MPF adere à campanha Banco Vermelho e promove reflexão sobre o combate ao feminicídio
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MPF adere à campanha Banco Vermelho e promove reflexão sobre o combate ao feminicídio
Em uma manhã marcada pela reflexão e pela memória das mulheres vítimas de violência, o Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas aderiu, nesta sexta-feira (13), à campanha Banco Vermelho, símbolo internacional de combate ao feminicídio. A iniciativa integra um movimento de conscientização sobre a violência de gênero e reuniu representantes de instituições públicas e da sociedade civil para debater a necessidade de políticas públicas e ações efetivas de proteção às mulheres.

Mais do que um ato simbólico, o momento foi dedicado à reflexão sobre a luta por equidade de gênero e sobre a urgência de enfrentar a violência contra as mulheres em suas diversas formas. Durante o evento, autoridades destacaram o papel das instituições públicas na promoção de políticas que garantam segurança, dignidade e respeito às mulheres.

A campanha Banco Vermelho é uma intervenção urbana e social que busca chamar a atenção da sociedade para o enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio. A iniciativa surgiu na Itália, em 2016, quando o primeiro banco foi pintado de vermelho para simbolizar o vazio deixado pelas mulheres vítimas de feminicídio. No Brasil, a campanha ganhou força com a Lei nº 14.942/2024 e passou a integrar as ações do Agosto Lilás.

Na Procuradoria da República em Alagoas (PR/AL), a adesão em março — mês dedicado às inúmeras lutas das mulheres — busca ampliar o debate sobre o tema e incentivar a reflexão coletiva. A proposta é estimular, no público masculino, a reflexão sobre seu papel no enfrentamento da violência e na promoção do respeito às mulheres e, no público feminino, a análise de suas próprias experiências e das situações que presencia. Afinal, devemos ou não “meter nossa colher”?

Números alarmantes – A mobilização é urgente. Dados recentes do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), indicam que, em 2025, houve 2.149 assassinatos de mulheres em casos consumados de feminicídio, além de quase seis mortes por dia quando somadas tentativas e crimes consumados.

A cerimônia iniciou com a exibição do vídeo da apresentação de 2025 da Quadrilha Junina Alagoana Amanhecer do Sertão, que, com o tema “Até que a morte nos separe”, fez uma denúncia contundente sobre o ciclo da violência, alertando para o feminicídio. Com esse tema, o grupo conquistou premiações importantes, como o Forró e Folia, o campeonato alagoano  de Quadrilhas e o Festival de Quadrilhas promovido pela Globo Nordeste.

A mesa de honra foi composta pela procuradora-chefe da República em Alagoas, Roberta Bomfim; pela procuradora-chefe substituta da Procuradoria da República em Alagoas, Raquel Teixeira; pelo procurador coordenador da Procuradoria da República no Município de Arapiraca, Érico Gomes; pela juíza integrante do Grupo de Participação Feminina do Tribunal de Justiça de Alagoas, Priscilla Cavalcante; e pela presidente da Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (Amada), Anne Caroline Fidelis.

Em sua fala inicial, Roberta Bomfim rememorou a ação iniciada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) da Paraíba, agradeceu a presença dos participantes e alertou sobre o aumento das notícias relacionadas à violência contra a mulher, reforçando a urgência de ações como o Banco Vermelho.

Já Raquel Teixeira convidou os presentes a refletirem sobre o retrocesso enfrentado pela sociedade, em que os casos de feminicídio e os ataques às mulheres aumentam a cada ano. “Como estamos agindo? Como estamos educando nossos filhos? O primeiro contato de respeito à mulher é dentro de casa, na família. É lá que deve ser ensinado o combate à discriminação e à violência contra a mulher”, afirmou.

Ressaltando a importância de se falar sobre o tema, Érico Gomes destacou que o aumento de casos, tanto locais quanto nacionais, de ataques e violências contra mulheres também reflete o crescimento de discursos de ódio e misoginia no ambiente virtual. “É extremamente urgente a regulação das redes, como forma de combater e punir discursos que incitam a violência contra a mulher. É necessário maior responsabilização e que se discuta amplamente sobre o assunto”, finalizou.

Para Priscilla Cavalcante, o Banco Vermelho tira do âmbito particular e do ambiente privado a discussão sobre a violência doméstica e a transforma em uma questão pública, buscando a raiz do problema - a desigualdade de gênero - e incentivando ações que devem ser implementadas. “Deve-se focar na educação, para que tenhamos meninas empoderadas, meninos conscientes e contrários ao machismo e à misoginia. Ressalto a importância do simbolismo do projeto, mas é preciso refletir que, para combater a violência de gênero, são necessárias ações e atitudes”, pontuou.

Ao palestrar sobre o tema, Anne Fidelis chamou a atenção para os dados alarmantes e ressaltou que mulheres, em geral, são mortas dentro de casa e por pessoas que fazem parte de seu ciclo de afetos. Ela destacou que o ciclo da violência existe porque há uma cultura de relacionamento e permanência que valida a mulher a partir de seus vínculos afetivos com homens. “O Banco Vermelho é simbólico e carrega uma reflexão fundamental: qual foi a trajetória dessa mulher? Quais políticas públicas existem para protegê-la? O feminicídio é um crime evitável, então o que podemos fazer? Devemos fortalecer os equipamentos que temos. Parabenizo o MPF e fico feliz, como cidadã, em ver o acolhimento e o debate sobre o tema”, afirmou.

Ao final, Roberta Bomfim fez um convite às instituições presentes: “Convido todas as instituições aqui representadas a ampliar esse debate. Na segunda-feira, a Ufal também fez essa adesão. Quero que continuemos discutindo o tema, ouvindo especialistas e avaliando como podemos ampliar nossas ações. O papel do Ministério Público Federal é induzir políticas públicas e, nessas conversas, precisamos buscar encaminhamentos concretos para o enfrentamento da violência de gênero”.

Exposição Mulheres Invisibilizadas

Após a cerimônia, os presentes foram convidados para a abertura oficial da exposição “Mulheres Invisibilizadas”, idealizada e lançada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF). A mostra resgata a trajetória de 30 mulheres pioneiras cujas contribuições foram apagadas pela história oficial.

São artistas, líderes e ativistas que contribuíram de forma significativa para suas áreas, mas que, em razão da sociedade patriarcal e do contexto histórico marcado pela desigualdade de gênero, foram silenciadas e não reconhecidas. A exposição busca ressignificar essas trajetórias e valorizar seus legados.

Lançada no Memorial do MPF, em Brasília, em 2025, a exposição funciona como um ato de memória e educação em direitos humanos, provocando reflexão sobre a baixa representatividade feminina. A mostra está em exibição no foyer da PR/AL.
(Assessoria)
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