Política
Publicado em 01/04/2025 - 14h14min
Justiça revoga afastamento de prefeito e vice após suspeita de carta de renúncia falsa
Decisão determina retorno de Carlos Gonçalves ao cargo e aponta indícios de falsificação nas cartas apresentadas pela Câmara
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Redação
Foto: reprodução
Justiça revoga afastamento de prefeito e vice após suspeita de carta de renúncia falsa
A crise política em Rio Largo ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira (1º), quando a Justiça determinou a suspensão do afastamento do prefeito Carlos Gonçalves (PP) e do vice, Peterson Henrique (PP). A decisão, assinada pelo juiz Guilherme Bubolz Bohm, da 1ª Vara do município, invalida a aceitação das cartas de renúncia apresentadas na Câmara de Vereadores e ordena o retorno imediato dos gestores aos seus cargos.  

O magistrado apontou fortes indícios de que os documentos utilizados para justificar a saída de Gonçalves e Henrique não expressavam sua real vontade e poderiam ter sido fraudados. Segundo o juiz, os textos eram extremamente simples, sem timbre oficial, justificativas ou reconhecimento de firma, além de apresentarem assinaturas feitas com diferentes canetas, o que levanta suspeitas sobre sua autenticidade.  

“Há indícios claros de falsidade ideológica nesses documentos, que não representam a vontade dos impetrantes”, afirmou o juiz na decisão.  

A leitura das supostas cartas ocorreu na segunda-feira (31), durante uma sessão convocada pelo presidente da Câmara, Rogério Silva (PP), que chegou a assumir interinamente a prefeitura após a saída forçada do prefeito e do vice.  

Investigação policial e atuação do Ministério Público

A Polícia Civil de Alagoas já havia instaurado uma comissão de delegados para investigar a possível falsificação das cartas. As diligências estão sendo conduzidas por Igor Diego e José Carlos, que contam com o apoio do Ministério Público de Alagoas (MP/AL).  

O MP também se manifestou sobre o caso, informando que o procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estão acompanhando de perto o andamento das investigações para responsabilizar os envolvidos.  

Prefeito fala em "golpe político"

Após reassumir o cargo, Carlos Gonçalves voltou a afirmar que nunca renunciou e classificou o episódio como uma tentativa ilegal de tirá-lo do poder. Segundo ele, a articulação para afastá-lo teria sido liderada pelo ex-prefeito Gilberto Gonçalves (GG) e pelo presidente da Câmara, Rogério Silva.  

 “Esse documento é falso. Fui eleito pelo povo e sigo como prefeito. Não há qualquer justificativa para esse golpe político que tentaram dar em Rio Largo”, declarou Gonçalves em nota oficial.  

O presidente da Câmara foi notificado para prestar esclarecimentos à Justiça no prazo de 10 dias. O Ministério Público também terá o mesmo prazo para emitir um parecer final sobre a legalidade do ato e os possíveis desdobramentos jurídicos para os envolvidos.
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