Economia e Negócio
Publicado em 20/10/2026 - 09h38min
Especialista explica como aluguel e valorização podem ampliar retorno de investidores
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Especialista explica como aluguel e valorização podem ampliar retorno de investidores
O crédito imobiliário movimentou R$ 132,5 bilhões no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 37,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O levantamento considera operações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que financiaram 384,6 mil imóveis para aquisição ou construção no período. O avanço ocorreu mesmo com os juros elevados: em setembro, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano.

Em Maceió, os preços anunciados dos imóveis residenciais continuam subindo. O Índice FipeZAP de setembro apontou alta de 5,41% em 12 meses, com valor médio de R$ 10.061 por metro quadrado. Na Ponta Verde, um dos bairros mais valorizados da capital, a média chegou a R$ 11.729. A combinação entre expansão do financiamento e valorização imobiliária coloca em discussão não apenas o momento da compra, mas o retorno que um imóvel pode oferecer ao proprietário.

Para o especialista em mercado imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, a redução dos juros pode ampliar a capacidade de financiamento, mas não significa que os preços dos imóveis cairão na mesma velocidade. A maior disponibilidade de crédito pode estimular a procura, enquanto a oferta de unidades e as condições de cada região influenciam os valores de venda.

“Quando o crédito melhora, mais pessoas conseguem comprar. Só que isso não significa que os imóveis ficam automaticamente mais baratos. Se a demanda cresce e a oferta não acompanha, os preços podem continuar subindo. Por isso, quem pretende investir precisa olhar não apenas para os juros, mas para o potencial de renda e valorização daquele patrimônio”, explica.

Rentabilidade imobiliária - Um apartamento de dois quartos na Ponta Verde, adquirido por R$ 440 mil há três anos, é um exemplo apresentado por Lauro sobre a combinação entre locação e valorização patrimonial. Segundo o especialista, a unidade tem potencial para gerar R$ 100 mil líquidos por ano com aluguel por temporada e atualmente possui valor de mercado estimado acima de R$ 800 mil.

Se confirmado esse resultado anual, o rendimento corresponderia a aproximadamente 22,7% do preço original de aquisição, antes de considerar eventuais custos de compra e financiamento não incluídos na estimativa. Já a valorização patrimonial estimada supera 81% em três anos. Os números se referem ao caso relatado pelo especialista e não representam a rentabilidade média dos apartamentos de Maceió.

“Quando alguém olha apenas para o aluguel, está enxergando uma parte do investimento. Existe a renda que o imóvel pode produzir e existe a valorização do patrimônio. Nesse exemplo, o apartamento foi comprado por R$ 440 mil e hoje tem valor estimado superior a R$ 800 mil. Mas não é todo imóvel que entrega esse resultado. O segredo está em comprar bem e entender a demanda daquela localização”, afirma Lauro.

Para avaliar o potencial de renda com locação por temporada, o investidor precisa considerar a diária média, a taxa de ocupação ao longo do ano e os custos de operação. Condomínio, energia, limpeza, administração, manutenção, tributos e períodos sem hóspedes interferem diretamente no resultado. Se houver financiamento, o valor das prestações também precisa entrar no planejamento financeiro.

“Uma diária alta no verão não garante boa rentabilidade no ano inteiro. O que interessa é quanto o apartamento realmente ocupa, quanto custa mantê-lo e o que sobra para o proprietário. Um imóvel pode faturar muito e entregar um retorno pequeno se foi comprado caro ou tem despesas elevadas”, observa.

Decisão de compra - O crescimento do crédito também não depende exclusivamente da queda da Selic. A disponibilidade de recursos nos bancos, as condições de financiamento e as mudanças nas regras do sistema influenciam o volume de operações. A Abecip apontou a liberação de depósitos compulsórios entre os fatores que contribuíram para a expansão registrada em 2026.

Para Lauro, acompanhar a evolução dos financiamentos, os preços praticados e a demanda por locação permite uma análise mais completa do momento de compra. “O imóvel não é apenas uma conta financeira. É um patrimônio que pode gerar renda, ser utilizado pelo proprietário e se valorizar ao longo do tempo. Mas essas possibilidades precisam ser avaliadas separadamente. Comprar porque os juros caíram ou porque uma região está valorizando não é estratégia suficiente. O investimento precisa fazer sentido desde a aquisição”, conclui.
(Tríade Comunicação)
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