Economia e Negócio
Publicado em 21/09/2026 - 15h16min
FIEA leva indústria alagoana ao debate global sobre energia limpa em Nova Iorque
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Foto: Reprodução
FIEA leva indústria alagoana ao debate global sobre energia limpa em Nova Iorque
A indústria alagoana vai ganhar espaço em um dos principais debates internacionais sobre o futuro da energia limpa. Nesta quarta-feira (23), o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), José da Silva Nogueira Filho, e o diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial, Julio Zorzal, participam, em Nova York (EUA), da Semana do Clima de Nova Iorque.

Eles estarão presentes no painel da Coalizão de Energia Limpa da América Latina (LACEC). O encontro reunirá representantes do Brasil, México e Colômbia para discutir como transformar a agenda de energia limpa em oportunidades concretas para o setor produtivo.

A presença da FIEA ocorre poucos dias depois do início da atuação da LACEC no Brasil, a partir de Alagoas, com a assinatura de um protocolo de intenções no último dia 1º de setembro, na Casa da Indústria. A estratégia conecta a experiência construída no estado às discussões regionais da coalizão e, agora, ao debate internacional. Na programação em Nova York, o vice-presidente da Federação estará entre os participantes do painel dedicado às perspectivas regionais e à forma como a LACEC pode apoiar estratégias corporativas de energia limpa em diferentes mercados.

O movimento ganha dimensão diante do tamanho e do perfil da indústria alagoana. O estado reúne 11.522 empresas industriais e mais de 110 mil empregos, com mais de 90% do parque formado por micro e pequenas empresas. Para esse universo, a transição energética não se resume à redução de emissões: envolve custo, acesso a financiamento, infraestrutura, qualificação profissional e capacidade de competir em mercados cada vez mais exigentes.

É esse recorte que a FIEA pretende levar para a agenda internacional. Alagoas dispõe de ativos importantes em biomassa, bioenergia, geração solar e na cadeia sucroenergética, mas ainda enfrenta gargalos como custos elevados de energia, limitações de transmissão e conexão, necessidade de armazenamento, dificuldade de financiamento e insegurança regulatória.

A participação em Nova Iorque também amplia a possibilidade de conectar esses desafios a capital, tecnologia e novos mercados. A proposta da LACEC é aproximar empresas consumidoras de energia, investidores, bancos, desenvolvedores de projetos, fornecedores de tecnologia e formuladores de políticas públicas para acelerar soluções de energia limpa na América Latina.

Negócios e sustentabilidade

Alagoas chega ao debate internacional com experiências que ajudam a mostrar que a transição energética já pode gerar novos negócios. Um dos exemplos citados pela FIEA é o projeto Bioenergias Pindorama-Veolia, que prevê a produção de 10 mil metros cúbicos de biometano por dia e 15 toneladas de vapor verde por hora, com investimento estimado em US$ 50 milhões.

O encontro de Nova Iorque deverá funcionar como uma ponte entre o que está sendo construído em Alagoas e uma agenda latino-americana de maior escala. A sessão da LACEC reunirá parceiros corporativos e doadores para discutir prioridades no Brasil, México e Colômbia, além de identificar lacunas regulatórias e de financiamento que ainda dificultam a expansão da energia limpa.

“O objetivo é fazer com que o potencial energético do estado seja enxergado também como ativo de desenvolvimento industrial. A FIEA defende que fontes como biometano, bioenergia, combustíveis sustentáveis e valorização energética de resíduos podem abrir novas cadeias produtivas, atrair investimentos e ampliar a competitividade de Alagoas”, disse José da Silva Nogueira Filho.

A sessão em Nova Iorque será fechada e reunirá cerca de 30 a 40 convidados, em um formato voltado ao diálogo entre parceiros do setor privado e financiadores. A participação do vice-presidente da FIEA coloca Alagoas diretamente nessa conversa, levando para uma agenda global questões que começam na realidade cotidiana das empresas do estado.

Potencial sucroenergético

Outro ativo estratégico está no setor sucroenergético, que reúne em Alagoas 15 unidades industriais em operação e apresenta potencial para o desenvolvimento de projetos de aproveitamento de resíduos como bagaço, vinhaça e torta de filtro na produção de biometano, bioenergia e outros biocombustíveis. Essas iniciativas podem ampliar a descarbonização da indústria, agregar valor aos resíduos e abrir novas oportunidades de investimentos e parcerias internacionais.

Para Julio Zorzal, diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da FIEA, essa articulação amplia o significado da agenda energética para Alagoas e cria uma perspectiva de desenvolvimento industrial associado à sustentabilidade. “O que estamos construindo em Alagoas não é apenas uma agenda energética. Estamos construindo uma agenda de desenvolvimento industrial baseada em negócios sustentáveis”, afirmou.
(Assessoria)
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