
Unimed Maceió espera que clínicas que cometeram fraudes sejam responsabilizadas
A Unimed Maceió vê como positiva a atuação do Ministério Público de Alagoas (MP-AL) na adoção de medidas contra fraudes em tratamentos a pacientes com transtornos do neurodesenvolvimento e espera que as clínicas e seus respectivos donos sejam responsabilizados pelos crimes cometidos.
As irregularidades apresentadas na Ação Civil Pública, divulgada na semana passada, vieram à tona após a Cooperativa formalizar uma Notícia de Fato ao MP-AL, diante de análises técnicas que apontaram para um possível esquema de fraudes por parte de clínicas prestadoras de serviços a beneficiários Unimed.
“Buscamos a cooperação do Ministério Público para assegurar a qualidade assistencial nos serviços prestados aos nossos beneficiários. As providências que tomamos servem para alertar sobre as más práticas que, muitas vezes, não são visíveis e evitar que outras pessoas ou empresas se tornem vítimas desse esquema”, falou a diretora superintendente da Unimed Maceió, Renata Loures.
Segundo a Operadora, um fato que chamou a atenção durante as análises foi a carga horária excessiva de terapias realizada por único profissional de uma das clínicas prestadoras, ultrapassando 24h de sessões diárias.
A maioria das jornadas terapêuticas apresentadas por uma das prestadoras é o dobro do habitual, com a indicação de sessão com duração de 8h/dia por paciente, além de cobranças indevidas de horas a mais de terapias.
A falta de critérios clínicos para tratamentos de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down também despertou a desconfiança do plano de saúde.
“Identificamos mais de 10 encaminhamentos com a mesma redação, em pontos e vírgulas, com exigências de qualificações específicas para tratamentos distintos, o que faz com que a clínica aja em benefício próprio”, disse a gestora jurídica da Unimed Maceió, Catherine Rossiter.
As anormalidades, ainda de acordo com Catherine, afetam a qualidade do serviço e prejudicam o tratamento de pacientes que precisam de um plano terapêutico individualizado, com profissionais qualificados.
“São danos que vão além do aspecto financeiro. Tem o lado emocional e a evolução inexistente do paciente em razão da falta do tratamento adequado, que deve ser feito por uma equipe multidisciplinar preparada para atender não só o paciente, mas seus familiares, quando necessário”, ressaltou a gestora jurídica, acrescentando que “uma das clínicas é responsável por ministrar capacitações sem reconhecimento do MEC e certificar seus profissionais, o que não representa validade para fins de comprovação técnica”.
Esse assunto foi abordado pela primeira vez ainda em 2023, quando a Unimed Maceió denunciou as clínicas e seus respectivos proprietários ao Ministério Público (MP-AL).
De lá para cá, outras medidas foram tomadas para coibir fraudes, como a implantação de uma Inteligência Artificial que verifica documentações e processos internos da Cooperativa, estabelecendo barreiras contra esses crimes e, em casos comprovados, resultando no cancelamento do plano de saúde, de acordo com a Lei de Nº 9.656/98.