Brasil
Publicado em 20/04/2026 - 18h02min
MC Ryan SP cobrava R$ 400 mil por dia para divulgação de jogos ilegais
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MC Ryan SP cobrava R$ 400 mil por dia para divulgação de jogos ilegais
Esta semana, os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo foram presos durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais. Poze foi detido em um condomínio de luxo na zona sudoeste do Rio de Janeiro e também em um imóvel de alto padrão em Bertioga, no litoral de São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, os artistas tinham papel relevante no esquema ao disponibilizar contas bancárias que permitiam a circulação de recursos de origem ilícita, misturados a receitas legais, como cachês de shows e ganhos com a música.

A apuração aponta que, além da renda oficial, havia uma fonte paralela de dinheiro vinda de rifas clandestinas e jogos ilegais.

Para a polícia, as redes sociais eram usadas como ferramenta central do esquema. O alto número de seguidores ajudava a impulsionar o fluxo financeiro nas contas dos investigados, facilitando a entrada e a “mistura” de valores ilícitos com recursos legais.

Em um áudio a que o Fantástico teve acesso, MC Ryan comenta sobre os ganhos com plataformas de apostas:

“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época que o ‘Tigrinho’ estava bom mesmo, eu estava me arregaçando, mas hoje em dia não dá mais uma arregaçada que nem dava.”
Segundo a Polícia Federal, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão. No centro da operação estaria o contador Rodrigo Morgado, apontado como responsável por estruturar e operacionalizar as transações financeiras.

Em uma das conversas analisadas, um intermediário negocia valores para divulgação de casas de apostas:

“Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de apostas e queria saber quanto que está para você divulgar a casa dele.”
“Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 mil, mas se não for muito seu amigo, pode falar para ele que é R$ 400 mil.”
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O dinheiro não era transferido diretamente ao artista, passando por empresas e intermediários para dificultar o rastreamento.

A Polícia Federal aponta ainda que grandes quantias eram fracionadas em diversas transferências menores. Um valor de R$ 5 milhões, por exemplo, poderia ser dividido em quase 500 operações de R$ 10 mil, estratégia usada para reduzir alertas dos órgãos de controle.

Os investigadores também afirmam que MC Ryan recebia valores em criptomoedas, que eram convertidos por Rodrigo Morgado.

Em outra conversa, o contador orienta sobre como ocultar patrimônio:

“Aqui nós não 'brinca' em serviço não, meu amigo. Não coloca no nome do Rian. Proteção patrimonial.”

A investigação também identificou um restaurante na zona leste de São Paulo, registrado em nome de uma parente do artista. Segundo a polícia, o local recebeu depósitos de mais de 150 pessoas ligadas ao esquema, com valores acima do padrão dos serviços oferecidos.

Há ainda indícios de que o estabelecimento possa ter sido utilizado como ponto de arrecadação de valores ligados ao crime organizado.

A operação
A operação mobilizou mais de 200 policiais federais em oito estados e no Distrito Federal, com o cumprimento de dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão.

Ao todo, foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões, e a investigação segue para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras.


Em nota, a defesa de Rodrigo Morgado afirmou que ele atua dentro dos limites legais da profissão e que vai comprovar sua inocência. As defesas de MC Ryan e MC Poze do Rodo negam todas as acusações.

(G1-Fantástico)
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