
Após a menopausa, excesso de peso pode aumentar o risco de câncer de mama
O câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, não possui uma única causa. Idade, histórico familiar, alterações genéticas, fatores hormonais e reprodutivos, consumo de álcool, sedentarismo e excesso de gordura corporal estão entre os fatores que podem influenciar o risco de desenvolvimento da doença. Entre os fatores comportamentais, a obesidade e o sobrepeso se destacam por serem modificáveis e, portanto, passíveis de intervenção.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o excesso de gordura corporal está entre os fatores de risco bem estabelecidos para o câncer de mama, especialmente em mulheres após a menopausa. A relação entre excesso de peso e a patologia está ligada, entre outros mecanismos, às alterações hormonais provocadas pelo tecido adiposo, que passa a ter papel importante na produção de estrogênio após a menopausa.
O médico Caio Galvão, explica que a gordura funciona como um órgão hormonal e inflamatório e por isso pode aumentar o risco de desenvolver câncer de mama. “O excesso de tecido adiposo produz mais estrogênio, aumenta a insulina e o IGF-1, que estimula a multiplicação celular, mantendo uma inflamação crônica de baixo grau. Esse ambiente favorece o surgimento e o crescimento de tumores, principalmente os que dependem de hormônio”, conta.
Isso ocorre porque depois da menopausa os ovários param de produzir estrogênio e a principal fonte passa a ser a própria gordura, por meio da enzima aromatase. Ou seja, quanto mais gordura, mais estrogênio está circulando. “Por isso, nessa fase, cada 5 pontos a mais no IMC aumentam o risco em cerca de 12%. Antes da menopausa essa relação é diferente e até se inverte, o que mostra como o contexto hormonal muda tudo”, ressalta o médico.
Dados da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC/OMS) reforçam a dimensão do problema. Uma análise citada pela agência estimou que, entre mulheres na pós-menopausa, cerca de 10% dos casos de câncer de mama poderiam ter sido evitados com a manutenção de um peso corporal saudável.
No Brasil, a relevância do tema é ainda maior diante da dimensão do câncer de mama. De acordo com o INCA, são estimados 78.610 novos casos por ano no país no triênio 2026–2028. O instituto também estima que cerca de 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como prática de atividade física, manutenção do peso corporal adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar.
“O termo mais honesto é reduzir o risco. Genética, idade e histórico familiar não estão sob nosso controle e mulheres magras e saudáveis também podem ter câncer de mama. A título de comparação, um estudo mostrou que perder peso de forma sustentada após os 50 anos se associou a menor risco e quanto maior a perda mantida, maior o benefício. Por isso, controlar o peso não substitui a mamografia, as duas coisas caminham juntas”, orienta Caio Galvão.
Assim, o profissional alerta que uma avaliação médica completa, periódica e que busque entender o corpo da mulher como um todo, avaliando composição corporal, resistência à insulina, momento hormonal, sono e rotina, é o ideal para traçar a melhor estratégia.