Polícia
Publicado em 04/11/2026 - 09h36min
Agentes armados e explosões: a atuação do Ibama contra o garimpo
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Agentes armados e explosões: a atuação do Ibama contra o garimpo
Vídeos de agentes armados entrando em áreas de mata, destruindo dragas e incendiando aeronaves utilizadas no garimpo ilegal têm chamado a atenção nas redes sociais. As imagens surpreendem parte do público, que nem sempre conhece o trabalho operacional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Sustentáveis (Ibama).

No Amazonas, esse tipo de atuação faz parte das operações de combate a crimes ambientais realizados em regiões como o Vale do Javari e o Rio Madeira, muitas vezes em parceria com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e outras instituições.

Uma das ações mais recentes no estado foi a Operação Aurum, em uma região próxima ao vilarejo Santa Rita do Weill, em São Paulo de Olivença. No dia 30 de outubro, equipes da PF, do Ibama e da Funai apreenderam ou destruíram oito dragas, sete embarcações conhecidas como motor-balsa, e uma embarcação do tipo rabeta, todas utilizadas no garimpo ilegal.

Operações deste tipo acontecem de forma regular no Amazonas. Segundo o superintendente do Ibama no estado, Joel Araújo, aproximadamente 4 mil dragas já foram destruídas no estado desde 2023.

Ibama vai além da fiscalização
O superintendente explica, ainda, que a atuação do instituto nessas operações vai muito além da fiscalização ambiental à que é comumente associada. Agentes do Ibama também participam diretamente do enfrentamento a grupos envolvidos em atividades criminosas, com equipamentos de proteção e armamentos letais e não letais.

"É um Ibama que se equipa, que se prepara, que usa armamento, que usa armamento letal e não letal, que usa colete à prova de bala, capacetes, helicópteros, lanchas rápidas, tem o apoio ali da Polícia Federal, da Força Nacional e outras agências de segurança pública", afirmou.
Segundo o superintendente, a maior visibilidade recente das operações nas redes sociais tem ajudado a mostrar uma dimensão do trabalho do órgão que muitas pessoas de outras regiões do país desconheciam.

"Muitas vezes o Ibama fica associado a algumas atividades que são mais brandas, tipo o licenciamento ambiental, ou o resgate, tratamento e soltura da fauna silvestre, manejo em vida livre da fauna. Isso dá um certo entendimento sobre o que é o Ibama. E agora as pessoas estão descobrindo outro Ibama, que faz o enfrentamento direto a criminosos", disse.

Destruição de equipamentos do garimpo
No Amazonas, o combate ao garimpo ilegal exige deslocamentos por rios e áreas isoladas, onde o transporte de equipamentos apreendidos traz riscos para os agentes envolvidos. Nesses casos, a destruição desses equipamentos é uma medida excepcional, prevista no Artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008.

O decreto permite que produtos e equipamentos utilizados em infrações ambientais sejam destruídos quando o transporte e a guarda forem inviáveis diante das circunstâncias ou quando houver riscos ao meio ambiente ou às pessoas no local.

Ainda segundo Joel Araújo, a destruição costuma ser adotada em situações mais graves, principalmente em áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação. Ele explica que retirar milhares de equipamentos de regiões remotas exigiria uma estrutura de transporte e armazenamento de grande porte, além de expor as equipes a riscos durante os deslocamentos.


"Para você ter uma ideia, no Amazonas nós já contabilizamos desde 2023 aproximadamente 4 mil dragas destruídas. Então imagina se não houvesse essa medida cautelar da destruição. A logística seria inviável. Retirar essas dragas dos locais mais longínquos seria muito difícil e muito arriscado também. A equipe pode sofrer emboscadas no caminho", disse.

Uma dúvida que ganhou espaço nas redes sociais é sobre a destruição dos equipamentos em vez de apreendê-los e destiná-los a outro uso. O chefe da assessoria de comunicação do Ibama, Tiago Costa, explicou que além da dificuldade de transporte e armazenamento, os próprios equipamentos utilizados no garimpo oferecem condições inseguras de uso devido a adaptações feitas de forma precária.

"Essa questão da segurança é especialmente relevante para aeronaves, que são adaptadas para transporte de equipamentos e produtos do garimpo, comprometendo completamente a segurança dos passageiros", explicou Tiago Costa.

Danos ambientais pelo uso do fogo
Outro questionamento levantado nas redes sociais envolve a poluição provocada pela queima de maquinários e embarcações.

Joel Araújo afirma que o órgão considera os impactos ambientais da destruição, mas avalia que eles são menores do que os danos provocados pela continuidade da exploração ilegal.

"Então a gente avalia e compara a poluição causada por uma destruição de uma draga, que é ali momentânea, com a poluição causada por uma draga que fica atuando constantemente. Com certeza os danos dela atuar constantemente são muito maiores do que os danos ambientais dela sendo destruída", explicou.

O mesmo decreto que prevê a destruição dos produtos e equipamentos com o uso do fogo também determina que a inutilização seja documentada, com registros das condições dos bens antes e depois da ação, e avaliação técnica dos equipamentos destruídos.

Operações contra o garimpo ilegal no Amazonas
Nos últimos anos, operações conjuntas com a participação do Ibama atingiram estruturas utilizadas na exploração clandestina de ouro em diferentes regiões do Amazonas.

Entre os dias 21 e 25 setembro de 2026, a Operação Hidra Dourada, realizada entre os municípios de Autazes e Novo Aripuanã, no Rio Madeira, incluiu a destruição de 22 dragas e cinco embarcações de apoio. A ação foi conduzida pela Polícia Federal e pelo Ibama.

Em março de 2025, a Operação Xapiri, na região de Borba, também no Rio Madeira, resultou na destruição de 23 dragas e embarcações. Nesta operação, foram identificados 25 trabalhadores em situação análoga à escravidão, incluindo dois menores de idade.

Já no Vale do Javari, a Operação Nidaid Isquim, iniciada em abril de 2025, buscou combater o garimpo ilegal no Rio Jandiatuba e proteger territórios indígenas. O balanço inicial divulgado pela Funai registrou a inutilização de 16 dragas e maquinários.

Além da destruição de equipamentos, as operações também interrompem qualquer tipo de atividade criminosa que provoque alterações nos leitos e nas margens dos rios, supressão de vegetação e contaminação da água por mercúrio. Esses impactos são especialmente perigosos para comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios para alimentação e sobrevivência.


Para Joel Araújo, o interesse da população nas ações de enfrentamento ao garimpo ilegal que acontecem no Amazonas e em toda a região amazônica fortalece o trabalho do órgão:

"Se a sociedade apoia, então isso nos encoraja muito mais e também nos dá muito mais responsabilidade, no sentido de que é preciso compreender e continuar fazendo o trabalho certinho", disse.
(G1)
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