
Brasileiro relata queda de marquises e prédios esvaziados e após terremoto no Panamá
O brasileiro Roque Freitas, que mora há 16 anos na Cidade do Panamá, relatou o susto provocado pelo terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o Panamá nesta sexta-feira (9).
Segundo ele, houve quedas de marquises no Casco Antiguo, centro histórico da capital, prédios esvaziados e pessoas correndo pelas ruas assustadas. Contudo, até o momento do relato, não havia informações sobre vítimas.
“Está tudo bem, mas foi um tremor importante, a princípio não de grande destruição. Algumas quedas de marquise no Casco Antiguo. Por enquanto, eu não soube de nenhuma vítima, a não ser de lugares internos ou de algo que tenha caído dentro de casas, principalmente nessa área tombada, que é o Casco Antiguo. Claro, o susto é grande”, afirmou.
Freitas contou que é guia turístico e responsável pelo perfil Guia Panamá nas redes sociais. Antes de se mudar para o país, ele morava em São Paulo. Segundo o brasileiro, a intensidade do tremor e a presença de edifícios altos na capital contribuíram para aumentar a apreensão dos moradores.
“Aqui [Cidade do Panamá] foi o lugar onde, a princípio, movimentou mais porque é a maior cidade, onde tem prédios bem altos, com 80 andares. Isso acaba fazendo com que as pessoas fiquem mais impressionadas”, disse.
O brasileiro também relatou que, mesmo após os tremores, muitas pessoas continuavam nas ruas porque não haviam recebido autorização para voltar aos prédios comerciais e residenciais. Segundo ele, o trânsito ficou mais intenso, em uma sexta-feira em que trabalhadores começaram a ser liberados para ir para casa.
“Está sendo tudo liberado para as pessoas irem para casa, mas ainda tem muita gente fora dos prédios. A maior parte dos lugares não permitiu que as pessoas voltassem, seja ao trabalho ou às residências, nos condomínios”, relatou.
Roque também mencionou uma réplica após o primeiro tremor. Apesar do susto, ele afirmou que a situação na capital não se compara à de grandes catástrofes.
“No geral, está tudo bem. Não se compara a uma catástrofe, por exemplo, em que as pessoas ficam até hoje procurando vítimas nos escombros na Venezuela. Não chega nem perto disso”, afirmou.
Terremoto
O tremor foi fortemente sentido na Cidade do Panamá e na vizinha Costa Rica, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês). O epicentro ocorreu em terra, no sul do país, na comunidade rural de La Pitaloza, uma área pouco povoada.
A profundidade do tremor, segundo o USGS, foi rasa, de 12 quilômetros da superfície, o que aumenta a intensidade em terra. Há relatos de edifícios que colapsaram.
O Sistema de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos afirmou que há risco de grandes ondas de tsunami em praias e ilhas de uma faixa que vai do México até o Peru, passando por Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Colômbia e Equador. O sistema também emtiu alerta para o Havaí.
O USGS registrou, inicialmente, que o tremor teve magnitude 8,0, mas, depois, revisou a intensidade para 7,6, e posteriormente, para 7,7.
O terremoto aconteceu às 14h56 pelo horário de Brasília. Cerca de meia hora depois, um segundo tremor, de magnitude 5,5, também foi registrado mais a sul do país, na localidade de Bajo Corral. Após 15 minutos, uma terceira réplica, também no sul, atingiu a localidade de El Cacao.
Danos e vítimas
Ainda não havia informações sobre danos ou vítimas até a última atualização desta reportagem. Pelas redes sociais, no entanto, já mostravam cenas de destruição.
A imprensa local afirmou que a torre de uma catedral na cidade de Santiago veio abaixo. Parte de um hotel da cidade de Penonomé também colapsou. Em diversas províncias do sul, aulas foram suspensas.
A Autoridade do Canal do Panamá informou que a hidrovia seguia operando normalmente, apesar do tremor.