
MPF amplia investigação após laudos apontarem exposição de peixes-bois a agentes químicos
Laudos que apontaram sinais de exposição a agentes químicos e biológicos nos peixes-bois marinhos Netuno e Paty motivaram uma reunião do Ministério Público Federal (MPF) para discutir o caso. Embora os estudos não tenham estabelecido relação direta entre a contaminação e as mortes dos animais, o resultado acendeu um alerta sobre as condições ambientais no estuário do Rio Tatuamunha, em Porto de Pedras.
O encontro, realizado na última sexta-feira (10), reuniu órgãos ambientais, pesquisadores e representantes do poder público para discutir os laudos e definir os próximos passos da investigação sobre a qualidade ambiental do estuário do Rio Tatuamunha.
Durante a reunião, técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apresentaram os exames veterinários e ambientais, que identificaram alterações inflamatórias e evidências de exposição dos animais a contaminantes encontrados na água, nos sedimentos e nos tecidos analisados. Apesar disso, os especialistas ressaltaram que, até o momento, não há elementos suficientes para estabelecer uma relação direta entre essa exposição e a morte dos peixes-bois.
Diante dos resultados, os técnicos recomendaram o reforço do monitoramento ambiental, incluindo o acompanhamento contínuo da qualidade da água e dos sedimentos, a vigilância da população de peixes-bois e a restrição de atividades que possam provocar o revolvimento do leito do rio enquanto persistirem dúvidas sobre a presença de contaminantes.
Como encaminhamento, o MPF determinou que o ICMBio apresente, em até cinco dias, o último laudo ambiental ainda pendente. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) também deverá encaminhar autos de infração e documentos produzidos durante fiscalizações realizadas na região. O material será analisado para definir possíveis medidas administrativas e judiciais.
Além da investigação sobre as mortes dos animais, a reunião também abordou outros problemas ambientais que afetam o Rio Tatuamunha, como assoreamento, ocupações irregulares, aterramento de manguezais, descarte inadequado de resíduos e expansão imobiliária em áreas ambientalmente sensíveis. Segundo o MPF, as discussões passam a integrar o procedimento que acompanha a situação ambiental da região e as ações voltadas à proteção da biodiversidade.