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Publicado em 28/05/2026 - 17h12min
MPF realiza nova edição do Vozes da Mundaú com escuta de moradores atingidos pela Braskem
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MPF realiza nova edição do Vozes da Mundaú com escuta de moradores atingidos pela Braskem
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou mais uma edição do projeto Vozes da Mundaú, iniciativa voltada à escuta direta da população atingida pelo afundamento do solo causado pela exploração de sal-gema em Maceió. 

As procuradoras da República Juliana Câmara e Roberta Bomfim receberam moradores do bairro de Bebedouro, região do Flexal e da rua Marquês de Abrantes que apresentaram demandas relacionadas à ampliação do mapa de desocupação, impactos econômicos decorrentes do isolamento de áreas adjacentes ao mapa de risco, ocupação dos novos equipamentos em fase de conclusão de obras na região do Flexal, melhorias habitacionais, saúde mental e fortalecimento de iniciativas culturais comunitárias.

Entre os relatos apresentados ao MPF estiveram questionamentos sobre  possíveis ampliações das área de isolamento social abrangendo a rua Marquês de Abrantes. Foi esclarecido que a manifestação da Defesa Civil foi de que não havia semelhança da situação do Flexal para toda a rua Marques de Abrantes e que novos questionamentos serão feitos pelo MPF. Foi solicitada também atualização sobre a ação do mapa V5, ao que foi esclarecido que segue aguardando decisão judicial.

Também foram discutidos impactos econômicos sofridos por comerciantes e trabalhadores da região externa ao mapa em razão do esvaziamento e do isolamento territorial decorrentes do desastre causado pela Braskem. O MPF orientou os participantes acerca da possibilidade de ajuizamento de ações individuais voltadas à reparação de prejuízos específicos, especialmente em relação a atividades econômicas afetadas, ainda que indiretamente.

Moradoras e empreendedoras da região do Flexal relataram dificuldades enfrentadas desde o processo de esvaziamento do entorno do bairro, incluindo insegurança, perda de renda e desafios de readaptação. Apesar disso, destacaram perspectivas positivas relacionadas às obras em andamento e ao potencial turístico da região.

Durante a escuta, foram debatidos os critérios de ocupação do centro comercial em fase final de construção na localidade. As participantes defenderam prioridade para moradores e trabalhadores da própria comunidade na utilização dos espaços.

Foi ressaltada, ainda, a importância das capacitações que ocorreram no programa Aprendi no Flexal e que o centro comercial é um espaço relevante para que estas pessoas possam continuar exercendo as atividades que aprenderam. 

As procuradoras esclareceram que o MPF acompanha a construção dos critérios de gestão e ocupação desses equipamentos, em atuação conjunta com a Defensoria Pública da União e o Ministério Público do Estado, buscando assegurar transparência e prioridade para a população diretamente atingida.
Também foram apresentadas demandas relacionadas à ausência de atendimento psiquiátrico no espaço Flexal, que atualmente só disponibiliza atendimento por psicólogos. Além da necessidade de informações mais claras sobre melhorias habitacionais e sobre a implementação de projetos de geração de renda.

Diálogo comunitário e combate à desinformação

Outros moradores da mesma região também relataram preocupação com a circulação de informações desencontradas sobre listas, critérios e ocupação futura dos equipamentos públicos previstos para o Flexal.

O MPF reforçou a importância de que os moradores busquem informações pelos canais oficiais e reforçou que eventuais critérios ainda estão em construção e passam por acompanhamento institucional conjunto. Lembrando que essa resolução por parte do município – da Secretaria Municipal de Abastecimento, Pesca e Agricultura (Semapa) – está mais demorada em razão da recente mudança na gestão da pasta.

Cultura, pertencimento e fortalecimento comunitário
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A última escuta da tarde reuniu representantes da Associação Coração de Mãe Marquês de Abrantes, que apresentaram iniciativas culturais e comunitárias desenvolvidas no território, como blocos carnavalescos, eventos juninos e ações voltadas à valorização da região.

Os participantes relataram sensação de abandono da comunidade e reivindicaram maior presença de equipamentos públicos, atividades culturais e espaços de convivência na Marquês de Abrantes.

Durante o encontro, o MPF esclareceu aspectos relacionados às ações previstas no âmbito do Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS) e nos editais do programa “Nosso Chão, Nossa História”, destacando que novos editais devem ser lançados em breve, inclusive com foco na territorialização de iniciativas culturais nos bairros atingidos.

As procuradoras também informaram que algumas demandas poderão ser encaminhadas para diálogo junto ao Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE), que atua com o Unops, na elaboração dos editais para o programa.

Escuta ativa e participação social

O projeto Vozes da Mundaú integra as estratégias do MPF para fortalecimento da escuta ativa e da participação social no acompanhamento das medidas relacionadas ao Caso Braskem. Os encontros são realizados mediante agendamento prévio e com número reduzido de participantes, permitindo maior aprofundamento dos relatos e melhor qualificação dos encaminhamentos institucionais.

Excepcionalmente, não haverá edição do Vozes da Mundaú no mês de junho. Os atendimentos serão retomados em julho, quando novas inscrições serão abertas e divulgadas pelos canais oficiais do MPF em Alagoas.
(Assessoria)
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