Eventos
Publicado em 22/07/2026 - 15h40min
Luiz Carlos Barreto fotografou celebridades, jogou na base do Flamengo e quase foi às Olimpíadas
Comentários (0)
+ -
Luiz Carlos Barreto fotografou celebridades, jogou na base do Flamengo e quase foi às Olimpíadas
O cinema brasileiro perdeu na madrugada desta quarta-feira (22) um dos seus maiores nomes. Cearense de Sobral, Luiz Carlos Barreto construiu uma trajetória marcada por diferentes talentos: antes de se tornar um dos principais produtores do país, foi fotógrafo de celebridades como Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Fidel Castro, atuou como jornalista, jogou futebol nas categorias de base do Flamengo e ajudou a transformar o cinema nacional em referência internacional.

Produtor, diretor, fotógrafo e roteirista, Barretão, como ficou conhecido, foi um dos protagonistas do Cinema Novo, movimento marcado pelo realismo e pela crítica social durante a ditadura militar.

Cinema Novo foi um movimento cinematográfico brasileiro que surgiu no final dos anos 1950 e ganhou força nos anos 1960. Seu objetivo era mostrar a realidade social, política e econômica do Brasil, especialmente a pobreza, as desigualdades e os conflitos vividos pela população. O lema mais conhecido era “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” — mesmo sem muitos recursos financeiros, era possível fazer filmes importantes e transformadores, valorizando a criatividade e a reflexão crítica.

Antes de chegar aos filmes, destacou-se no jornalismo. Escrevia para o jornal do Partido Comunista, que era ilegal na época. Preocupada com perseguições políticas, a mãe o incentivou a deixar o Ceará e se mudar para o Rio de Janeiro.

Na então capital federal, tornou-se repórter e fotógrafo da revista O Cruzeiro. Chegou a ser correspondente da publicação na Europa e fotografou personalidades como Frank Sinatra, o presidente cubano Fidel Castro e a atriz Marilyn Monroe.

Foi em uma viagem à Bahia para a revista que conheceu Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento. O encontro mudaria sua trajetória.


“O Glauber chegou pra mim: você tem que fotografar o Vidas Secas. Vamos fazer porque você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste”, falou o cineasta em uma entrevista.

“Todo filme no Nordeste, o Nordeste parece um jardim. Falei, concordo com você. Eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como um personagem que destrói a paisagem, destrói a plantação, que incomoda o homem.”

Luiz Carlos Barreto assinou a direção de fotografia de Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, em 1963, e de Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967.

Ao lado da mulher, Lucy Barreto, com quem foi casado durante 71 anos, construiu uma das produtoras mais importantes da história do cinema brasileiro: a LC Barreto. O casal teve três filhos cineastas: Bruno, Fábio e Paula Barreto.

“O cinema é uma doença que quando dá, dá na família inteira”, declarou certa vez.

“A Lucy é que botou a ciência no feitiço, como Glauber dizia.”

A LC Barreto produziu mais de 150 filmes e ajudou a levar o cinema brasileiro a milhões de espectadores. Entre os principais sucessos estão "Bye Bye Brasil," de Carlos Diegues; "O Beijo no Asfalto"; e "Dona Flor e Seus Dois Maridos", dirigido por Bruno Barreto. O filme levou mais de 10 milhões de pessoas aos cinemas, tornou-se uma das maiores bilheterias da história do cinema brasileiro e foi exibido em 80 países.


“Os filmes foram sempre aqueles filmes que a gente quis fazer, da melhor maneira com quem a gente quis fazer, com a liberdade que a gente quis, mesmo na época da ditadura, conseguimos manter viva nossa produção. O cinema brasileiro, apesar das quedas e das crises, sempre ressurgiu cada vez melhor e mais forte”, disse Luiz Carlos.
(G1)
Gostou! Então compartilhe sua opinião.
Nenhum comentário cadastrado.
Seja o(a) primeiro(a) a comentar.
Todos os direitos reservados - 2008 - Melhor Notícia Empresa de Comunicação e Marketing LTDA.
Fone: (82) 9 8824-0174 Termo de condições de uso
Desenvolvido por