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Publicado em 11/05/2026 - 18h00min
É #FAKE que crise orçamentária de NY começou após Zohran Mamdani assumir prefeitura
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É #FAKE que crise orçamentária de NY começou após Zohran Mamdani assumir prefeitura
Circulam nas redes sociais publicações alegando que a crise orçamentária de Nova York começou depois que o atual prefeito da cidade, Zohran Mamdani, assumiu o cargo, em janeiro. É #FAKE.

Como são os posts?

Desde 28 de abril, publicações em redes como X, Threads e Instagram acusam a gestão de Mamdani de ter causado uma crise financeira em Nova York.

Veja três exemplos de legendas: "Faz 4 meses desde que Mamdani assumiu o cargo de prefeito e Nova York já está falida. E pedir a Donald Trump mais injeção de dinheiro. O que virá em seguida é o manual clássico do Comunismo: inflação, mais pobreza, controle de narrativas e, claro, repressão"; "Não espero que o Estado americano ajude esse podre. Zohran Mamdani quer a ajuda do Estado. Em 6 meses ele comeu tudo"; e "Com 4 meses de mandato, Zohran Mamdani anuncia que NYC está em uma crise orçamentária após gastar toda a campanha prometendo coisas de graça".

Mas as afirmações das legendas são enganosas. Os recentes déficits nas contas públicas municipais vêm sendo registrados desde a gestão do ex-prefeito democrata Eric Adams, segundo relatórios publicados pela controladoria-geral do município antes mesmo da posse de Mamdani, em janeiro. Documentos de entidades civis e apartidárias da cidade comprovam isso (detalhes mais abaixo).
As publicações falsas usam um trecho real de um recente discurso real do prefeito, no qual ele disse: "A cidade de Nova Iorque enfrenta uma crise orçamentária de magnitude histórica. Herdamos um déficit maior do que qualquer outro desde a Grande Recessão. Anos de má gestão e falta de investimento crônica, juntamente com um desequilíbrio estrutural entre o que a cidade de Nova Iorque envia para o estado e o que recebemos em troca, cobraram o seu preço. Não podemos fechar este déficit apenas com poupanças. Precisamos de novas receitas e de uma redefinição estrutural na nossa relação com o estado [...]".
Com 34 anos de idade, socialista e muçulmano, Mamdani concorreu pelo Partido Democrata e assumiu a chefia do Executivo da maior cidade dos Estados Unidos em 1º de janeiro. Durante a campanha, ele propôs aumentar impostos sobre os mais ricos para bancar medidas sociais para combater a crise do custo de vida.

Por que #É FAKE?
Ao Fato ou Fake, o Escritório Independente de Orçamento de Nova York (IBO, na sigla em inglês), uma agência pública e apartidária, negou a alegação de que Mamdani responde pela atual crise orçamentária da cidade. Veja a resposta por e-mail: "Incorreto. Desde 2022, a cidade tem gasto mais do que arrecadado todos os anos, e o superávit que antes ajudava a estabilizar o orçamento tem diminuído consistentemente a cada ano. Embora parte desse aumento de gastos reflita ações tomadas pela administração [de Eric] Adams [entre 2022 e 2025] para lidar com problemas estruturais de longo prazo, outras questões antigas permanecem sem solução".

Ainda segundo a entidade, um dos principais motivos para a crise fiscal tem relação com a prática recorrente de indicar, nos planos orçamentários, custos menores que as despesas reais: "A prática de subestimar despesas e de não refletir com precisão os gastos da cidade de forma a corresponder às despesas reais não vem de nenhuma administração municipal específica, tendo sido adotada por muitas antes da gestão Mamdani".

O Fato ou Fake também enviou os posts, por e-mail, à assessoria de imprensa da prefeitura de Nova York, que afirmou: "A informação [de que Mamdani 'quebrou' a cidade] não é procedente. O prefeito Mamdani herdou um déficit fiscal de US$ 12 bilhões do ex-prefeito Eric Adams, o que foi confirmado independentemente pelo atual e antigo controlador-geral do município".
O primeiro relatório advertindo para a possibilidade de grandes rombos orçamentários em 2026 e 2027 foi publicado pelo ex-controlador-geral do município Brad Lander em 15 de dezembro de 2025, antes de Mamdani assumir. O documento está disponível no site do escritório do controlador e destaca:

Projeção de US$ 12 bilhões de déficit para os anos-fiscais de 2026 e 2027 - "O Gabinete do Controlador projeta um déficit orçamentário de US$ 2,18 bilhões para o ano fiscal de 2026 (1,8% das receitas totais). Os déficits nos anos seguintes podem chegar a US$ 10,41 bilhões em 2027 (8,8% das receitas totais), US$ 13,24 bilhões em 2028 (10,9%) e US$ 12,36 bilhões em 2029 (9,9%)".
Despesas subestimadas - "A cidade recorreu a economias temporárias (como US$ 1,62 bi em ajustes contábeis e adiamento de custos) e manteve despesas sistematicamente subestimadas, sem planejamento estrutural de eficiência nem reforço de reservas, o que aumenta a vulnerabilidade fiscal no longo prazo".

Cortes do governo Trump - "Mudanças propostas em políticas federais — incluindo cortes no Medicaid, reduções no financiamento de serviços sociais e políticas migratórias mais rígidas — podem aumentar significativamente os custos para a cidade de Nova York e enfraquecer sua perspectiva econômica".

Apenas um mês depois de esse relatório ter vindo a público, o novo controlador de Nova York, Mark Levine, publicou uma nova análise, confirmando estimativas do antecessor.

Ao Fato ou Fake, a gestão Mamdani citou três medidas para cobrir parte desse déficit:

Quanto custam as políticas de Mamdani?
Em reportagem publicada em 7 de novembro de 2025, dois dias após a vitória Mamdani na eleição, o jornal americano "The New York Times" apontou que as quatro principais promessas do prefeito (creche universal gratuita, gratuidade no transporte por ônibus, mercados municipais e congelamento dos aluguéis) custariam US$ 7 bilhões anuais aos cofres da cidade, se implementadas simultaneamente.

Para pagar isso, o novo prefeito anunciou a previsão de arrecadar US$ 9 bilhões em novas receitas, com aumento de impostos sobre a renda, propriedades secundárias de moradores mais ricos e tributos para empresas que operam na cidade.

Em outra frente, Mamdani defende simplificar os contratos da cidade, contratar mais auditores para fiscalizar o cumprimento das leis tributárias e arrecadar mais multas — três medidas que, segundo seu plano de governo, poderiam gerar mais US$ 1 bilhão por ano.

Mas as ideias de Mamdani para arrecadar esse dinheiro vêm sendo questionadas por especialistas em contas públicas.

A Comissão Cidadã para o Orçamento de Nova York (CBC, na sigla em inglês), entidade independente que monitora as contas públicas da cidade, publicou um relatório alertando para um "otimismo" nas projeções de arrecadação do novo governo.

Segundo o grupo, os cálculos esbarram em possíveis dificuldades de aprovar novos impostos na Câmara Municipal e a capacidade limitada do estado de Nova York de fornecer ajuda financeira ao município.
(G1)
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