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Publicado em 19/06/2026 - 09h53min
Atuação do MPF no caso Braskem recebe novo reconhecimento nacional
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Atuação do MPF no caso Braskem recebe novo reconhecimento nacional
Uma das atuações do Ministério Público Federal (MPF) na busca por soluções para reparar os impactos causados pela mineração de sal-gema em Maceió (AL) recebeu mais um importante reconhecimento nacional. O Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), concebido na ação civil pública proposta pelo MPF contra a Braskem, venceu a categoria Direitos Fundamentais do XIV Prêmio República, promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

O resultado foi anunciado nesta quarta-feira (17), em cerimônia realizada na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. O projeto tem como autoras as procuradoras da República Juliana Câmara, Julia Cadete e Roberta Bomfim.

A premiação se soma a outros reconhecimentos recebidos pela atuação institucional desenvolvida no caso Braskem, marcado pela adoção de soluções estruturantes voltadas não apenas à reparação das pessoas atingidas, mas também à reconstrução dos serviços públicos, dos espaços urbanos e dos vínculos sociais impactados pelo desastre geológico provocado pela exploração mineral em Maceió.

“Recebemos esse prêmio com a convicção de que a reparação de grandes desastres socioambientais exige respostas que vão além das indenizações individuais. O PAS nasceu da compreensão de que era necessário reconstruir territórios, fortalecer estruturas físicas para políticas públicas e preservar a memória e a identidade das comunidades afetadas. Esse reconhecimento valoriza uma atuação coletiva e reafirma a importância de colocar os direitos das pessoas atingidas no centro de todo o processo de reparação”, destacou a procuradora da República Juliana Câmara.

O que é PAS - Criado a partir do acordo socioambiental firmado entre o MPF e a Braskem, tendo o Ministério Público do Estado como interveniente anuente e contando com a adesão do município de Maceió, o Plano de Ações Sociourbanísticas reúne mais de 40 iniciativas voltadas à mitigação, compensação e reparação dos impactos socioambientais provocados pela desocupação parcial dos bairros Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Farol e pela desocupação total do bairro Mutange.

Entre as iniciativas já concluídas estão a entrega do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Emy Geylyane Oliveira Santos, instalado em um edifício histórico restaurado no bairro do Bebedouro; a realização do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI); a construção de espaços multiuso no Bom Parto e na Vila Saem; a implantação do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) e do CAPS AD III na Cidade Universitária; a execução do Projeto de Atualização Técnica em Primeira Infância e do Projeto de Fortalecimento da Atenção Psicossocial; além do Programa de Apoio Cultural e do Edital Cultura em Movimento.

Essas entregas integram um conjunto mais amplo de intervenções voltadas à ampliação e qualificação dos serviços públicos em Maceió. Na área da saúde e da assistência social, o PAS prevê a reforma de unidades básicas de saúde (UBSs) e centros de referência (CRAS), além da construção de novos equipamentos públicos, como CRAS, CREAS e unidades de saúde em bairros como Benedito Bentes, Pitanguinha e Santa Amélia. Além das obras de infraestrutura, o plano contempla o Projeto de Fortalecimento da Atenção Psicossocial – Integra RAPS, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

A iniciativa inclui formação continuada para profissionais da rede, com módulos voltados à organização do cuidado, à saúde mental em diferentes ciclos de vida e à integração entre os serviços. As ações buscam fortalecer a infraestrutura urbana e contribuir para a reconstrução do tecido social afetado pelo desastre, que levou à retirada de milhares de famílias de suas casas e alterou profundamente a dinâmica de diversos bairros de Maceió.

Ao conceder o prêmio ao PAS, a ANPR reconhece uma experiência inovadora de atuação judicial em um dos maiores desastres socioambientais urbanos do país, marcada pela construção de soluções permanentes voltadas à proteção dos direitos fundamentais das populações atingidas.

Prêmio República - A categoria Direitos Fundamentais do Prêmio República é destinada a iniciativas do Ministério Público Federal com impacto relevante na promoção e defesa dos direitos da população. Os trabalhos foram avaliados por comissão julgadora composta pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia; pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet; pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho; e pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Carlos Augusto Pires Brandão.

Criado pela ANPR, o Prêmio República reconhece anualmente iniciativas que contribuem para a defesa dos direitos fundamentais, o fortalecimento das instituições democráticas e a promoção da justiça em todo o país.
(Assessoria)
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