Blog Elza Amaral
Publicado em 24/11/2025 - 15h16min
Os eleitores e a escala 3x1 dos políticos profissionais
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De repente e faltando um ano para as eleições 2026, parlamentares descobrem que em Maceió, há cobrança de multas em excesso ou a cobrança é seletiva. De repente parlamentares descobrem que também  há violência na região nobre de Maceió. De repente parlamentares descobrem que a saúde em Maceió e em Alagoas tem problemas graves nos serviços, na assistência à população. De repente parlamentares descobrem que há estradas de má qualidade, que há desemprego ou qualquer outro tema de destaque municipal, estadual ou nacional.

Esses movimentos não são novidades, é quase um mantra eleitoral (ou será eleitoreiro?). A partir do tema escolhido eles  passam a “lacrar”  nas redes sociais, e aparecem todos os dias nos locais estratégicos explorando os temas da “lacração”. No roteiro, entrevista com moradores ou pessoas prejudicadas em determinada situação, visita in loco para “denunciar” o prefeito, o governador, o presidente.

Mas caro leitor/eleitor, onde esses parlamentares estavam nos últimos três anos que não viram esses problemas? Quantas vezes foram nas comunidades, nos seus redutos eleitorais ou não, para se certificar das carências e apresentar propostas nas devidas Casas Legislativas fazendo com que  a sociedade seja beneficiada ou tenha aquele determinado problema resolvido?  O vereador, os senadores, os deputados estaduais e federais são legisladores e é papel deles apresentar propostas visando a qualidade de vida, a segurança da população.

Gravar, falar mal dos governos é a parte mais fácil, mas a obrigação do legislador é conhecer bem a sua cidade, o seu estado. Para isso, a população paga assessores técnicos a cada vereador e a cada deputado, que em tese, tem o papel de assessorar o parlamentar na elaboração desses projetos, dentro da realidade social, econômica, da saúde, da educação, etc. Os legisladores têm como função também, contribuir na discussão dos orçamentos para a aplicação dos recursos públicos para que sejam aplicados da forma justa, transparente e correta nos planos de governos.

O eleitor, de forma geral, está ausente e distante do poder legislativo, que junto com o poder executivo e o judiciário são os pilares da estrutura organizacional do nosso país. Mas o poder legislativo é dentre eles, o que deveria estar mais próximo da população e começa pelo fato de que os seus representantes são eleitos e devem expressar e atender aos anseios da população. Mas no dia a dia é o que está mais distante e na maioria dos casos quando estão próximo é no trabalho de forma assistencialista.

O eleitor tem sua parcela de culpa por ser totalmente desinformado sobre o papel do legislador e do poder legislativo. Não tem o hábito de cobrar, de acompanhar os trabalhos  no plenário das Casas Legislativas. De conhecer a movimentação de projetos, da participação dos parlamentares  nas discussões sobre a cidade, o estado, o país. A internet que facilita a informação sobre qualquer assunto e pessoas, deixando livre o acesso a rotina desses parlamentares e reuniões, criou a diversão fácil,  sedutora para desviar a atenção do que realmente interessa ao cidadão.

Os acessos aos escândalos de famosos, a crimes, as fake news, tudo é organizado para que o cidadão se sinta bem informado acessando banalidades do que quando pesquisa e ler informações importantes sobre a economia, a educação, sobre a saúde pública  que vão impactar sua vida financeira, a formação profissional, a garantia do tratamento médico, a preservação do meio ambiente e outros aspectos do bem estar social. A lição para qualificar as escolhas em eleições é o conhecimento e ele vem por meio da leitura, da pesquisa, da conscientização do seu papel como cidadão e as conseqüências do seu  voto para o futuro.

É por saber que ao eleitor falta essa consciência que políticos profissionais cumprem seus mandatos na escala 3x1 – três anos no mais absoluto silêncio e um ano fazendo barulho. São três anos trabalhando em troca de vantagens junto ao executivo, ao próprio legislativo no toma lá dá cá e só aparecem no último ano de mandato, fazendo bastante ruído para garantir os votos da  reeleição. É necessário quebrar essa rotina eleitoreira e só quem pode fazer isso é o eleitor.
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