Esses dias li alguns comentários na rede social sobre declarações da presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmém Lúcia Antunes, que assumiu há 24 horas a nova missão, onde ela teria dito ser contra o auxilio moradia para o judiciário, o carro oficial, seguranças de empresas privadas para os ministros, o polêmico reajuste salarial para o STF, entre outros temas.
Alguns comentários já a elegendo como “heroína”, como “me representa”, como “essa é das minhas” e por aí vai. Ora bolas, mas isso não deveria ser a regra e não a exceção? Servidor público significa o “homo sapiens” que por meio de concurso público ou cargo de confiança foi contratado para servir ao cidadão. A função dele é fazer o seu trabalho da melhor forma possível, seja na unidade de saúde pública, na escola, no quartel de polícia, na delegacia, na casa legislativa, nos tribunais, nas sedes administrativas.
As mordomias são frutos de um sistema corrupto gerido por pessoas corruptas que tentam por meio delas, ampliar seus vencimentos. Aos poucos essas benesses foram se agigantando e chegaram ao absurdo dos dias atuais. Não se concebe que servidores públicos que já recebem salários altíssimos e fora da realidade brasileira e até maiores que em muitos países desenvolvidos quando comparados pelo mesmo serviço, ainda tenham direito a carro de luxo, auxilio moradia, auxilio alimentação, auxilio médico, combustível e outras benesses que muitas vezes a população não sabe.
No caso do legislativo, é absurdo constatar que pessoas eleitas para defender a população em seus direitos de saúde, educação, transporte, moradia, segurança, emprego e por aí vai, tenham também, além das benesses citadas no parágrafo anterior, passagens aéreas, internet, telefone, o famoso auxilio paletó, dezenas de assessores, verba de gabinete. O cidadão tem a obrigação de saber e questionar qual a necessidade de tanta mordomia? Será que pra ser um bom servidor público, seja em qualquer dos três poderes é necessário ter tudo isso? E o cidadão tá disposto a continuar pagando essa conta indefinidamente?
São problemas como esses que uma reforma política urgente precisa atacar e deixar claro que quem assume um cargo público, o faz por escolha pessoal. Quem assume cargo público, não ganha superioridade humana nem profissional. Quem assume cargo público não pode achar que vai ficar rico com o dinheiro dos impostos dos cidadãos, pagos com o sacrifício de muitas horas trabalhadas. Quem assume cargo público tem de entender que assumiu uma missão e como todo trabalhador, deve dar o seu melhor e receber seu pagamento em dia. O resto é injusto, é imoral, mesmo que seja legal.
Vamos torcer para que o posicionamento da Presidente do STF provoque um efeito dominó no serviço público e acorde o cidadão. Nós brasileiros temos de exigir mudanças nesse sistema de apadrinhamento, de benefícios pessoais à custa dos nossos impostos. Dinheiro esse que deve ser revertido em melhoria da qualidade de vida do cidadão, em prol do bem estar social.