Durante anos e anos vivi me perguntando a razão do porque as coisas devem ser da maneira que são. O tempo vai passando e as perguntas vez por outra voltam a circular minha mente.
Muitas e tantas vezes, olhamos os nossos idosos, e nos intrigados com as dificuldades que ele têm de executar atividades através dos recursos tecnológicos que usamos com tanta facilidade. Mesmo os acontecimentos cotidianos são de difícil compreensão. Outro dia um juiz amigo meu relatava de como teve que explicar o significado da palavra gay que sua genitora havia visto no jornal. Para tudo isso costumamos denominar "mundo dos dinossauros". Assim costumamos sentir e viver as discrepâncias entre a nossa e as gerações de nossos pais e avós.
Mas um dia os dinossauros partem, e porque eles devem ir?
Não é incomum vê-los nos dar adeus, e quando isso acontece a dor toma conta do nosso ser.
Recentemente tive que sentir a dor da partida de uma dinossauro, era um dos últimos da ninhada de sua mãe. Foi muito doloroso, mas ele parecia até saber que sua hora estava chegando.
Aprendemos muito com ele, a sua alegria e contentamento. Nada pra ele estava ruim, nunca o víamos de cara feia, sempre gentil, amoroso e atencioso. Carregava em si a expressão da felicidade. A minha melhor lembrança. A sanidade de pensar sempre em fazer algo pelo próximo. Tinha sempre uma palavra amiga e conciliadora.
Mas ele teve que acenar e partir, correu ao encontro dos outros tantos dinossauros que já haviam partido.
E o que dizer. Numa hora dessa? Não se vá?
Obrigado?
Vai voltar?
Aquele olhar vai sumindo e as lágrimas de nossos olhos vão surgindo. A dor vai aflorando e nada podemos fazer para impedir a partida.
Na memória ficam as lindas lembranças, as imagens do filme que vão se fazendo repetir a cada segundo em nossa mente, até percebermos que mais um dinossauro se foi.
Nos restando apenas o aceno para mais um dinossauro que se foi.
(Aquiles Virtuozo)
Vai em paz meu amigo, meu chefe é conselheiro.